Muitos interesses

Pode-se dizer que sou um cara interesseiro. Claro que a conotação dessa palavra normalmente vem de carregada de noções como alguém que só tem olhos para o próprio imbigo 𝄞 Manezês 𝄞 Também conhecido como buraco da barriga. Mas nesse caso eu te garanto que não é disso que eu tô falando. O meu caso é mais sério e problemático. Já falei de música aqui e com certeza é uma das paixões da minha vida, mas existem muitas outras coisas incríveis, fascinantes e bizarras por aí.

Desde cedo eu não tive um foco muito específico. É tipo o pato que anda, nada e voa, mas não é especialista em nada. Ele só deve curtir uma variedade de locomoção - assim como eu. Desde cedo participei de uma série de atividades físicas, algumas mais correlacionadas que outras. Fiz escolinha de futebol, natação, karatê, judô, taekwondo 𝄞 Trocaralho do cadilho 𝄞 Tax cum dô?, teatro, aula de música e até dança uma ou outra época da vida. As diversas atividades humanas me fascinam. Até as que eu tentei pouco como xadrez e outras que venho me aventurando mais recentemente, como culinária e escrita, são não só atividades produtivas como também servem para o desenvolvimento pessoal de qualquer ser humano. Eu já tô até tentando soldar!! Mas agora imagina o tanto de tempo que não se dedica e se dispõe para poder desenvolver todas essas habilidades.

Uma outra atividade que acabou se desenrolando um pouco mais foi o da observação. Dos jogos de tabuleiro que eu mais gostava era o Detetive. Aquele mesmo do Coronel Mostarda com o castiçal na biblioteca. Lógica e investigação sempre foram coisas que me fascinaram e eu comecei falando de uma coisa e já pulei para outra para tu ver como é. Mas no fundo eu acho que tudo faz parte do todo, o meu toldo. Abaixo dele estão uma honesta curiosidade sobre o funcionamento do mundo e do ser humano. Por conta disso eu acabei me fazendo uma pergunta: Como diabos nós estudamos o próprio ser humano (ψ) 𝄞 Símbolo 𝄞 Psi, de psicologia e o mundo continua essa maluquice de guerra, fome e gente ruim para tudo quanto é lado? Obviamente eu era muito ingênuo, como somos boa parte da vida com muitas coisas, mas foi o motor que me fez querer estudar psicologia. Não vou entrar em detalhes aqui porque acho que vale um outro escrito meu sobre o que penso e o que vivi. Mas posso dizer que com certeza mudou minha forma de buscar entender o mundo. De certa forma respondeu a minha pergunta inicial, mas eu não vou dar esse gosto a você que está lendo.

Antes da faculdade eu já estava um tanto obsessivo com observações do cotidiano, especialmente aquelas mais fúteis que acontecem no corriqueiro, durante um almoço no meio da faculdade ou no transporte até em casa. A faculdade acabou me dando uma outra habilidade que foi a da escuta. O sentir também fez parte desse processo e até hoje sinto que tenho uma boa noção corporal e sensorial por causa disso tudo. Sim, sou privilegiado em certo nível de poder ter vivido essa jornada pessoal de uma forma muito particular e tudo isso tem a ver com a minha classe social. Ser cônscio é para quem tem tempo.

Privilégios

Diego Rapoport

Farol na cara, o motorista pára

Privilégio é poder parar para ver a cidade correr

Café da manhã lento, a brisa é rara

Quando o tempo é de se percorrer

Ainda quero aprender melhor sobre física e matemática. Assim como a pintar e saltar de paraquedas.